Cozinha: lugar de mulher?

Como disse, fui pesquisar. De cara encontro esse texto de Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti: “Lugar de mulher é na cozinha!“, onde ela conta um pouco da história toda e da relação dos homens com a culinária. É dela:

Primeiro deles, alguns séculos antes de Cristo, foi provavelmente o grego Arkhestratus – um contemporâneo de Aristóteles, que escreveu “Hedypatheia” (Tratado dos Prazeres), em que ensinava técnicas para preparar peixes. Foi ele quem, pela primeira vez, usou o termo “gastronomia” – ao explicar que o estômago (gaster) era regido por leis (nomos). A palavra, na época, não fez nenhum sucesso. Mas virou moda a partir do século XIX.

Muito tempo depois veio o romano Apicius, que escreveu o primeiro livro de receita propriamente dito – “De re coquinária”, único dos tratados latinos sobre o tema que chegou até nós. Aristocrata, e filho de cavaleiro, preferia passar o tempo bem longe dos cavalos do pai, escondido na cozinha. Nela, criava receitas “demasiado indigestas e sofisticadas”, segundo críticos da época. A ele devemos, inclusive, a técnica de engordar gansos com figos secos, para depois lhes aproveitar o fígado. Por conta disso “iecur”(fígado), em Roma, passou a ser chamado “ficatum” (de fícus, figo).

Depois vieram outros cozinheiros famosos. Como Guillaume Tirel, mais conhecido como Taillevent (corta vento), em homenagem a seu nariz monumental; La Varenne, o primeiro a escrever livro de culinária (“Le Cuisinier François”) fornecendo as quantidades dos ingrediente; Auguste Escoffier, com seu “Guia Culinário”, até hoje reverenciado como bíblia pelos grandes chefes. Ou Marc-Antoine Carême, consensualmente considerado o maior cozinheiro de todos os tempos.

A Fal Azevedo (Drops da Fal) escreveu, na coluna do IG “Palavras da Fal”, sobre o Carême (aqui) “the king of cooks and the cook of Kings“:

O grande chef da época, que só trabalhava em casas particulares e serviu, dentre outros o Czar Alexandre I, o Barão Rothschild, Jorge IV da Inglaterra e Luís XVIII, era Marc-Antoine Careme. Abandonado pelos seus pais, paupérrimos, esse francês, nascido em 1754, começou sua carreira com um famoso patissier da época e propôs, ao longo de sua carreira, simplificação, só. Substituiu os complicados coulis do século XVIII por molhos básicos, como maionese, hollandaise, bechamel, bearnaise. Muitos gourmets do fim do século XVIII haviam se arruinado com a Revolução. Não podendo mais manter boas mesas, fundam sociedades de estudo da gastronomia. Seus trabalhos escritos satisfazem a demanda criada pela nova classe alta, gerada pela Revolução.

Para quem se interessar, ela cita dois livros: “De Caçador a Gourmet”, de Ariovaldo Franco, Ed. SENAC; e “A Saga da Comida, receitas e história”, de Gabriel Bolaffi, Ed. Record.

Parece que foi isso: homens cozinhavam para reis, mulheres por obrigação. A obrigação talvez não seja diferente para muitos homens hoje em dia, com as mulheres trabalhando fora e cuidando dos filhos…

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~ por Luiz Afonso Alencastre Escosteguy em 20/03/2010.

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